Modernismo II Fase - Poesia
1. Momento histórico
A segunda fase do Modernismo brasileiro estende-se de 1930 a 1945. Período extremamente rico, tanto termos de produção poética quanto de prosa refletem um conturbado momento histórico: no plano internacional, vive-se a depressão econômica, o avanço do nazifascismo e a II Guerra Mundial; no plano interno, Getúlio Vargas ascende ao poder e consolida-se como ditador, no Estado Novo. Assim, a par das pesquisas estéticas, o universo temático se amplia, incorporando preocupações relativas ao destino dos homens.
A década de 1930 começa sob forte impacto da crise iniciada com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, seguida pelo colapso do sistema financeiro internacional: é a Grande Depressão, caracterizada por paralisações das fábricas, rupturas nas relações comerciais, falências bancárias, fome, miséria e desemprego generalizados. Assim, cada país procura solucionar internamente a crise, mediante a intervenção do Estado na organização econômica. Ao mesmo tempo, a depressão leva ao agravamento das questões sociais e ao avanço dos partidos socialistas e comunistas, provocando choques ideológicos, principalmente com as burguesias nacionais, que passam a defender a adoção de um Estado autoritário, pautado por um nacionalismo conservador, por um militarismo e por uma postura anticomunista e antiparlamentar – ou seja, um Estado fascista, como ocorreu na Itália de Mussolini.
No Brasil, 1930 marca o fim da República Velha e o início do governo de Getúlio Vargas, que contava com o apoio da burguesia industrial, desenvolvendo uma política de incentivo à industrialização e à entrada de capital norte-americano, em substituição do capital inglês.
2. Características gerais
● Verso livre e poesia sintética
● Nova postura temática - questionar mais a realidade e a si mesmo enquanto indivíduo
● Tentativa de interpretar o estar-no-mundo e seu papel de poeta
● Literatura mais construtiva e mais politizada, que não quer e não pode se afastar das profundas transformações ocorridas nesse período.
● Surge uma corrente mais voltada para o espiritualismo e o intimismo (Cecília Meireles, Murilo Mendes, Jorge de Lima e Vinícius de Morais)
● Aprofundamento das relações do “eu” com o mundo
● Consciência da fragilidade do eu - "Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo" (Carlos Drummond de Andrade - Sentimento do Mundo)
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