Concretismo
1. Momento histórico
Acompanhado o progresso de uma civilização tecnológica e respondendo às exigências de uma sociedade impelida pela rapidez das transformações e pela necessidade de uma comunicação cada vez mais objetiva e veloz, as décadas de 1950 e 1960 assistiram ao lançamento de tendências poéticas caracterizadas por inovação formal, maior proximidade com outras manifestações artísticas e negação do verso tradicional. Procurava-se, assim, o “poema-produto: objeto útil”.
A poesia concreta foi lançada oficialmente em 1956, com a Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Entretanto, os três poetas que iniciaram as experiências concretistas – Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos – já se encontravam agrupados desde 1952.
Entre os precursores brasileiros dessa tendência são citados Oswald de Andrade (que produziu poemas radicais, rompendo com “o vicio retórico nacional”, herdado, principalmente, do século XIX) e João Cabral de Melo Neto (“linguagem direta, economia e arquitetura funcional do verso”).
2. Características gerais
Partindo da assertiva de que o verso tradicional já havia encerrado seu ciclo histórico, a poesia concreta propõe o poema-objeto, em que se utilizam múltiplos recursos: o acústico, o visual, a carga semântica, o espaço tipográfico e a disposição geométrica dos vocábulos na página. Os concretistas perceberam uma “crise do verso”, que correspondia a uma crise geral do artesanato diante da revolução industrial.
Um dos traços mais importantes da modernidade da poesia concreta é aquele que procura mexer com o leitor, exigindo dele uma participação ativa, uma vez que o poema concreto permite uma leitura múltipla. Dessa forma, o poema constitui-se num desafio e o leitor transforma-se em co-autor.
Apresentamos, a seguir, algumas passagens do Plano-piloto para a poesia concreta, documento-programa do movimento, publicado em 1958:
● poesia concreta: produto de uma evolução critica de formas dando por encerrado o ciclo histórico do verso, a poesia concreta começa por formar conhecimento do espaço gráfico como agente estrutural.
● poesia concreta: tensão de palavras-coisas no espaço-tempo.
● estrutura dinâmica: multiplicidade de movimentos simultâneos.
● o poema concreto comunica a sua própria estrutura: estrutura-conteúdo. O poema concreto é um objeto em e por si mesmo, não um intérprete de objetos exteriores e/ou sensações mais ou menos subjetivas. Seu material: a palavra (som, forma visual, carga semântica).
● poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem. Realismo total, contra uma poesia de expressão, subjetiva e hedonística. O poema-produto: objeto-útil.
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