1. Momento histórico
Nas últimas décadas, a cultura brasileira vivenciou um período de acentuado desenvolvimento tecnológico e industrial; entretanto, neste período ocorreram diversas crises no campo político e social.
Os anos 60 (época do governo democrático-populista de J.K.) foram repletos de uma verdadeira euforia política e econômica, com amplos reflexos culturais: Bossa Nova, Cinema Novo, teatro de Arena, as Vanguardas, e a Televisão
A crise desencadeada pela renúncia do presidente Jânio Quadros e o golpe militar que derrubou João Goulart colocaram fim nessa euforia, estabelecendo um clima de censura e medo no país (promulgação do AI-5; fechamento do Congresso; jornais censurados, revistas, filmes, músicas; perseguição e exílio de intelectuais, artistas e políticos). A cultura usou disfarces ou recuou.
A conquista do tricampeonato mundial de futebol em 1970, foi capitalizada pelo regime militar e uma onda de nacionalismo ufanista espalhou-se por todo o país, alienando as mentes e adormecendo a consciência da maioria da população por um bom período de tempo: "Brasil - ame-o ou deixe-o", a cultura marginalizou-se
Em 1979, um dos primeiros atos do presidente Figueiredo foi sancionar a lei da anistia, permitindo a volta dos exilados. Esse ato presidencial fez o otimismo e esperança renascerem naqueles que discordavam da política praticada pelos militares daquele período.
Na década de 80 inicia-se uma mobilização popular pela volta das eleições diretas, que só veio a concretizar-se em 89, com a posse de Fernando Collor de Mello, cassado em 1991.
As condições adversas desse período não mergulharam o país numa calmaria cultural. Pelo contrário, assistimos a uma produção cultural bastante intensa em todos os setores.
2. Características gerais
● Reformulação da "arte pela arte", objeto artesanal (forma disciplinada);
● Valorização do ritmo e da forma;
● Temática humana universal, valorização do homem (universal);
● Ausência de sinais de pontuação;
● Valorização do espaço em branco;
● Estrutura ideogramática, apelo à comunicação não-verbal;
● Aproveitamento da linguagem de propaganda, de recortes de jornais, revistas, etc.
● Valorização da pintura, escultura, música e decoração;
● Mensagem geometrizada;
● Leitura pluridemensional, leitura não discursiva;
● Valorização da palavra em si, contra o verso como unidade rítmica;
● A reformulação do poema que não deverá ser outra coisa, senão poema:
● Aproveitamento do tape, do cinema, da fotografia (imagens).
3. Poesia Contemporânea
Na poesia, duas constantes: o aprofundamento da reflexão sobre a realidade e a busca de novas formas de expressão. Mantendo a tradição da poesia discursiva, temos a permanência de nomes consagrados como João Cabral de Melo Neto, Adélia Prado, Mario Quintana, entre outros autores, que ao lado de novos poetas procuraram aparar arestas em suas produções.
Verifica-se ainda a permanência da poesia concreta. O aproveitamento dos espaços em branco na folha de papel e dos recursos gráficos, a sonoridade das palavras, as relações entre significado continuam a desafiar tantos poetas consagrados quanto jovens talentos.
Deve-se salientar ainda a importância da poesia marginal, que tanto se desenvolve fora dos grandes esquemas industriais e comerciais de produção de livros.
4. Prosa Contemporânea
No romance, o regionalismo continua um filão muito rico e produtivo. Trabalhado com maior ou menor intensidade, também tem servido como pano de fundo a alguns autores que se consagraram recentemente.
Mas quem roubou a cena nos últimos anos, utilizando uma estrutura de romance policial e/ou histórico, foi Rubem Fonseca.
Ainda na prosa, as últimas décadas assistiram à consagração das narrativas curtas – a crônica e o conto. O desenvolvimento da crônica está intimamente ligado ao espaço aberto a esse gênero imprensa.
Por outro lado, o conto, analisado no conjunto das produções contemporâneas, situa-se em posição privilegiada tanto em quantidade como em qualidade.
5. Teatro, Cinema e Televisão Contemporâneos
No teatro, a situação política solicitou, ao mesmo tempo, a criação e desintegração de grupos conceituados. Em 1948, surgiu o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), responsável pela formação de um sem-número de artistas, quase sempre trabalhando com técnicas e textos importados. O teatro modernos, no entanto, assumiu sua função social, voltando-se para o questionamento da realidade brasileira.
A década de 1960 assistiu a uma proliferação de grupos teatrais, que espalhados por todo o Brasil, intensificaram suas atividades após o movimento de 64. Entre os mais importantes estão, além do Teatro de Arena, o grupo do Teatro Oficina e o Grupo Opinião. Com o AI-5 (Ato Institucional nª 5, de 1968) e os ataques de grupos de extrema direita, desmantela-se o teatro de resistência.
Por fim, uma referência ao cinema, que desde 1963/64, com o movimento do Cinema Novo, tem se dedicado, com excelentes resultados, à adaptação de obras literárias brasileiras e a televisão que não se manteve alheia a essa tendência e passou a fazer adaptações de romances, peças de teatro, contos e crônicas, apresentadas na forma de novelas, minisséries ou mesmo isoladamente
Postar um comentário